Diz-me com quem andas, <br>dir-te-ei quem és…
«A Igreja Católica espanhola receberá, no final deste ano, o valor do imposto de renda de 2011, num total de 248,2 milhões de euros, parcela que em 2013 não será menor. … A IC tem isenção total e permanente de impostos sobre imóveis que incluem hospitais, ambulatórios, residências, orfanatos, centros de ensino, etc. Se a IC deixasse de receber tudo isto, muitos milhões ficariam disponíveis para pagar a Saúde, Educação, Pensões Sociais e muitos Serviços Públicos dos espanhóis» (Júlia Mirón, «Liga Internacional dos Trabalhadores»).
«O dinheiro que a tróika empresta fica, literalmente, dois dias na Grécia. Não serve, nem para pagar salários públicos, nem pensões sociais. Paga bancos, FMI e os juros da dívida» (Marcelo Justo, Página Global).
«De um total de 5445 votos, 43% dos leitores do Diário Económico escolheram a Igreja Católica como lobby português n.º 1. Os cibernautas do site do jornal elegeram a Igreja como o lobby mais poderoso do país. No total, a instituição representada por D. José Policarpo obteve 2362 votos, à frente da Banca e dos Advogados. Apesar de Portugal ser um estado laico e da sua legislação estabelecer a liberdade religiosa, o certo é que o poder da Igreja Católica continua a ser grande e influente» (Diário Económico, 6.8.012).
Perfeitamente identificado com os modelos do capitalismo na sua fase imperialista, o Vaticano procura atravessar a grande crise consolidando posições.
Compra e vende, ajudando a lançar a vasta rede de monopólios que segundo espera constituirão a médio prazo os grandes pilares da Nova Ordem Mundial. Simultaneamente, a alta hierarquia da Igreja procura criar uma outra imagem junto da opinião pública. Um dia – pensam os cardeais – os oprimidos aceitarão o mito de que são o Vaticano e o Papa os dois únicos refúgios dos pobres no deserto de desgraças que é a vida terrena no capitalismo. Por outras palavras: a Igreja prepara o terreno para se apresentar como uma «nova esquerda» pacificada, promotora da justiça solidária e da reconciliação. Mas não esquece as velhas amizades com aqueles com quem sempre privou: os banqueiros, as troikas e o universo invisível das sociedades secretas.
É certo que os cenários que estamos a presenciar no mundo apenas desenham a transição para um imperialismo financeiro em plena fase suprema do capitalismo. A estratégia do «tapa/destapa» dos métodos da tecnocracia illuminati, laica e religiosa, continua a funcionar. Ao lobo ainda é possível vestir-se de cordeiro e, sobretudo, jamais deixará de estar presente a regra jesuíta universal que impõe «a obediência a Deus através dos seus superiores». O alibi divino ainda sobrevive.
Mas há exemplos indisfarçáveis. Como o do Bankia, considerado o quarto maior grupo bancário espanhol. Um exemplo que faz escola. Porque o Bankia, afinal, é como que um buraco numa manta de retalhos.
Na organização do Estado espanhol, o BFA – Banco Financeiro e de Ahorros, centraliza uma parte importante das Cajas, uma espécie de sociedades de socorros mútuos dominadas pela Igreja católica. Em Maio de 2010 (logo, há cerca de dois anos) o BFA criou um novo banco – o Bankia – constituído através da fusão de sete cajas de ahorro (Madrid, Bencaja, Canárias, Avila, Laetaria, Segovia e Roxa). Podia afirmar-se, desde o início, que o novo banco tinha um pé no Estado e outro na Igreja.
A operação parecia constituir um êxito. O BFA passava a ser o primeiro banco do ranking espanhol e o Bankia ascendia ao posto de «primeiro banco doméstico», nisto se entendendo os capitais necessários às despesas das famílias com a Saúde, o Ensino, a compra de casa própria, etc. A situação financeira do novo banco parecia sólida, com activos de mais de 270 mil milhões de euros e valores patrimoniais de 12 mil milhões. Para além disto, o estado espanhol investiu nele, em Maio de 2012, um reforço de 10 mil milhões de euros e o governo de Mariano Rajoy (conservador) nacionalizou-o neste mesmo ano. A nacionalização era fictícia (transferia para o Estado os passivos do banco) e prometia nova injecção financeira estatal de 19 mil milhões e a fundo perdido.
Apesar deste aparente desafogo o pulsar das bolsas era febril A ansiedade provinha, sobretudo, do capital judeu-americano (Rotschild, Rockfeller) e do IOR, ou Banco do Vaticano.
(continua)